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Miss Messy

Miss Messy

O apartamento amaldiçoado

 

 

Conheço um apartamento que está amaldiçoado. Fica no meu prédio. Mais propriamente no andar por baixo do meu.

Tudo começou quando o andar foi vendido pela primeira vez a um velho carrancudo e à sua filha solteirona mal educada. Viviam os dois...e mais onze gatos - dei-me ao trabalho de os contar quando uma vez espreitei para a marquise do andar de baixo e os vi todos empoleirados na janela. A relação dos dois era péssima. Perdi a conta à quantidade de vezes em que os vizinhos chamaram a polícia às 3h da manhã devido aos gritos e bater de portas intoleráveis.

Passados 2 anos de má vizinhança, lá decidiram vender o apartamento. Todos os inquilinos do prédio ficaram radiantes, incluindo eu que já não os aguentava.

Assim que o apartamento foi vendido, rapidamente se descobriu que os novos habitantes eram uma família com duas crianças.

Tinham um ar tão feliz, o que poderia correr mal? Tudo! Passados poucos meses, andava tudo aos gritos. Os filhos gritavam e os pais discutiam constantemente. Uma das minhas vizinhas voltou a chamar a polícia ao apartamento porque, segundo ela, às 23H, discutiam tanto que já se ouviam coisas a partir em casa - felizmente não me encontrava no país para poder ouvir esta bagunçada toda.

Decidiram vender o apartamento pouco tempo depois de iniciarem o processo de divórcio.

Foi um "UFA!" geral mas com pouca dura. Os novos residentes do apartamento amaldiçoado eram Angolanos. Não discutiam, mas andavam no forrobodó a noite inteira, de tal forma intenso que a senhora dava gritos e guinchos de meia-noite. Eram uma simpatia mas viviam para o sexo e para as festas - todos os Fins-de-Semana. Levei um enxerto de Kizomba de tal forma que acho que já conheço o álbum do C4Pedro todo de cor.

Entretanto o apartamento não foi vendido mas foi alugado a uma família com dois filhos que lá habita até aos dias de hoje e que são o verdadeiro terror. Os pais discutem um com o  outro como se não houvesse amanhã, a filha adolescente passa as noites a gritar com a mãe e a dizer que ninguém gosta dela. Não sei que raio fazem da vida mas chegam a casa SEMPRE por volta da 1H da manhã e fazem uma algazarra desgraçada até se deitarem. Gritam uns com os outros, arrastam móveis, fecham e abrem estores e batem com as portas todas que têm em casa. Tem sido um caos de tal forma que, já se pensou em reunião de condomínio, voltar a chamar a polícia ao terceiro andar.

 

Depois de anos a levar com vizinhos de outro mundo, cheguei à conclusão que o problema só pode ser do apartamento! Vou arranjar forma de enfiar uma mangueira lá para dentro e de o lavar com água benta. Quem sabe se a coisa no andar de baixo não fica mais tranquila...

Será que se disser à Endemol que "fui vítima de uma maldição" me deixam entrar na Casa-dos-Segredos?

 

2 comentários

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    Miss Messy 28.09.2016

    É verdade João, concordo consigo. Pelo menos os angolanos faziam barulho mas eram felizes. Eu não me incomodo com barulho de festas esporádicas, nem com discussões que acontecem de vez em quando. Na verdade, como já disse num comentário anterior, não somos múmias. Eu própria faço festas em casa, recebo amigos e familiares e tenho os meus momentos felizes e infelizes. E é muito provável que ao caminhar pelo apartamento após uma certa hora (quando todos dormem), os meus passos se façam ouvir mais do que o habitual, mas lá está, não são situações diárias. Tenho consciência de que a partir de uma certa hora, há pessoas que precisam de dormir porque tal como eu, acordam cedo para trabalhar. O que aqui está em causa já não é a felicidade ou a infelicidade das pessoas, é a educação que têm ou a falta dela.
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