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Miss Messy

Miss Messy

"Não a conheço, mas trate-me por tio"

Há uns largos anos - talvez há mais de 50 - era comum nas aldeolas as crianças tratarem os vizinhos e amigos dos pais por "tios". Era um termo carinhoso e afectuoso uma vez que, devido à pequena dimensão da localidade onde viviam, todos interagiam como se fossem família. Na minha opinião, é um tratamento querido e que fazia todo o sentido. 

 Com o passar dos anos, o que era um tratamento carinhoso, muito rapidamente se tornou numa forma chique e snob de falar criando - tal como o tratamento por você em entre pais e filhos - uma espécie de tratamento específico entre ricos/ novos-ricos fazendo distinção nas classes sociais.  

Há muitos anos atrás, tive uma amiga cujo a família era toda do jet set...falido. Eram uns cagões de primeira apanha, mas daqueles que vivem única e exclusivamente de aparências porque, poder económico para comprar o que quer que seja, "tá quieto". Certo dia, fui a casa dessa minha amiga e conheci o pai. Um tiozorro do pior. Mal falei com o senhor o dia todo mas recordo-me perfeitamente que, quando me ia embora, ao me despedir dele - como pessoa bem educada que sou - lhe disse "até à próxima Sr. Paulo, muito gosto" e é então que me responde "Igualmente. Trate-me por tio Paulo. Até à próxima." TIO PAULO? Tinha acabado de conhecer o homem e já queria que o tratasse por tio?! Entretanto conforme fui crescendo, fui-me dando conta de que é algo bastante comum entre as classes sociais mais abastadas ou entre aqueles que tencionam ser snobs a todo o custo.

Pois muito bem, aqui vai a minha opinião: os filhos dos meus amigos tratam-me por tia, isto porque, para a mãe/pai deles, sou como uma irmã. Temos uma relação muito próxima e somos como família, no entanto, chamar tio/tia a uma pessoa com a qual não tenho qualquer relação, com quem mal falo ou com quem privo apenas num contexto de "boa tarde, como está?", para mim não faz sentido. Faz me pensar que é tio/tia não por ser uma pessoa que me é querida, mas por fazer parte da condição social a que pertence, julga pertencer ou quer fazer parte. É isso e o cumprimentar só com um beijinho...mas isso serão histórias para um outro post...

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