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Miss Messy

Miss Messy

O pesadelo de 13 de Agosto

 

O dia 13 de Agosto foi um dia muito quente. Tudo indicava que seria um dia perfeito para ter familiares e amigos a celebrar a vida, a amizade e a dar uns valentes mergulhos num belo almoço/jantar em casa dos meus pais em Ferreira do Zêzere.

Passava pouco das 18H quando começámos a sentir um cheiro intenso a queimado e consequentemente muito fumo a sair da serra. Liguei de imediato para o quartel dos Bombeiros para tentar perceber de onde vinha tanta fumarada. Na altura, foi me dito que havia um incêndio na aldeia do Beco - a cerca de 15Km do local onde estávamos - mas que, até ao momento, ainda não tinham qualquer outra informação.

A nossa reacção foi pegar em mangueiras, começar a molhar tudo à volta da casa e espalhar a notícia pelos restantes habitantes. Durante uma hora, o pensamento foi unânime: incêndios de Pedrogão. Foram tão marcantes, tão perturbadores que não se pensava noutra coisa e piorou quando as labaredas começaram a aparecer. O vento que se fazia sentir, em nada ajudava. Percebemos que o fogo estava completamente fora de controlo e que se dirigia para a nossa aldeia a todo o gás. Foi então que apareceram os carros da GNR a pedirem a evacuação imediata da aldeia instalando o pânico. O dia tão animado que estávamos a viver estava transformado num pesadelo. Num espaço de minutos, o incêndio cavalgou a serra de tal forma que só se avistava um mar vermelho rodeado pela escuridão da noite que já se fazia sentir. Uma imagem assustadora e arrepiante.

Os habitantes mais idosos não queriam deixar as suas casas com medo de perder tudo o que tinham e com receio de que ninguém pudesse olhar por elas na sua ausência. Felizmente, conseguimos convencer a grande maioria a sair, mas garanto-vos que não foi uma tarefa nada fácil.

Pegámos nos carros e fomos para a vila de Ferreira do Zêzere na esperança de que tudo se resolvesse o mais rapidamente possível. Infelizmente, o incêndio propagou de tal forma que atingiu a minha linda aldeia vestindo-a completamente de negro. Durante 2 dias não pude ir a casa, nem eu nem ninguém. "Dormi" no Centro Recriativo de Ferreira do Zêzere juntamente com todos aqueles que foram evacuados das suas casas sem saberem o que restava delas.

Foram momentos muito tristes onde me senti completamente impotente. Queria ajudar os bombeiros de alguma forma mas nada podia fazer.

Só dois dias depois, quando pudemos regressar à nossa aldeia e percebemos que felizmente a nossa casa e a dos restantes habitantes estava a salvo, é que conseguimos respirar de "alívio". Os bombeiros continuaram incansáveis a vigiar a zona, sempre prestáveis e atentos aos reacendimentos. O mínimo que pudemos fazer foi levar-lhes água e comida de X em X horas mas em momentos como estes sentimos sempre que é tão pouco...

Passou exactamente 1 mês e 4 dias desde que tudo isto aconteceu, desde que vivenciei este horror que em nada se compara com tudo o que aconteceu no passado Domingo nem com o sucedido em Pedrogão.

O ano de 2017 ficará para sempre mascarrado de cinza no coração de todos nós que, de alguma forma, passando ou não por momentos de agonia, sentimos o pesar e a tristeza de todos aqueles que perderam tudo...

 

 

 

 

 

 

Apelo ao Calor

 

Querido calor,

 

Escrevo-te com profunda tristeza porque no fundo, sei que a culpa não é tua mas tenho de te pedir que vás embora. Sempre ansiei com a tua chegada e sempre desejei que ficasses o máximo de tempo possível por este nosso querido país à beira mar plantado, mas hoje, percebi que este país não tem capacidade para que cá fiques por muito tempo - na verdade, começo a achar que não tem capacidade para nada.

 Bem sei que a culpa não é só tua e que a mão criminosa que por aí anda se apodera do teu maior esplendor para mergulhar o nosso pequeno Portugal em chamas, mas por isso é que te peço que vás embora. Somos pequeninos, mas o teu calor - ou quem se aproveita dele - tem-nos trazido tragédias muito grandes. Pede à tua amiga chuva que venha e descarregue sobre o nosso continente a tão preciosa água de que precisamos para apagar estes incêndios e alimentar esta nossa terra já tão seca e desnutrida.

Vou sentir a tua falta, mas preciso mesmo que vás. Quando apareces em força, os desastres acontecem e o nosso governo não sabe como lidar com isso. Não sabe ou não quer saber. Ou investe onde não deve. Não sei. Não me apetece falar sobre isso, porque me revolta.

Espero que esta carta seja uma despedida e que amanhã já não estejas por cá.

Não fiques triste, voltaremos a ver-nos para o ano caso a Administração Interna já tenha capacidade de Liderança e o SIRESP se tenha modernizado - entre outras tantas coisas de que precisamos para te voltar a ver. Se até lá continuar tudo como está então não apareças no teu esplendor. Vai espreitando, mas nada mais do que isso.

E se eu me despedisse? Seria mais feliz?

 

 

 

 

Há algum tempo que tenho vindo a questionar-me se a nível profissional faço aquilo que realmente gosto ou se estou a trabalhar apenas pelo salário que recebo no fim do mês.

Quando percebo que os Domingos a partir das 18H são altamente depressivos, que a vontade de trabalhar é nula e que o meu maior sonho neste momento é não só ir de férias como não voltar mais para este tormento, apercebo-me de que não só não gosto do meu trabalho como estou à beira de mandar tudo pelo ar.  

A vontade de me demitir é grande mas o mercado instável faz-me sempre recuar na minha decisão.

Cada vez mais me apercebo do quão importante é a nossa satisfação e realização profissional e que a mesma muito dificilmente se consegue desgrudar da satisfação pessoal. Neste momento, a minha frustração está estampada na minha cara e nas minhas atitudes. Eu que sempre fui pro-activa e alegre, dei por mim vencida pelo cansaço e pela frustração do dia-a-dia. Posso dormir 8 horas mas chego a casa sempre de rastos e sem paciência para nada - 12 horas fora de casa e num sítio que não me deixa feliz, não seria para menos.

Dei por mim a perder qualidade de vida, a viver para o bem estar laboral dos meus superiores e a rebaixar-me a tudo. Há dias em que me sinto altamente sensível e só me apetece chorar e ficar os fins-de-semana no sofá deitada o dia todo - que deprimente, não acham?

O mais engraçado, é que a maioria das pessoas que me rodeiam estão igualmente esgotadas com esta rotina que nos é exigida diariamente e pela falta de reconhecimento de esforço e empenho por parte das empresas.

 

Há uns bons anos, quando terminei a licenciatura, deparei-me com um mercado de trabalho completamente saturado e sem opções para trabalhar na minha área de estudos. Como não me quis juntar aos milhares de desempregados da altura, decidi procurar trabalho e em áreas diferentes. Tive sorte, posso considerar. Nos últimos oito anos, sempre trabalhei em boas empresas, fui sempre ganhando mais e mais e nunca soube o que era a palavra desemprego, no entanto, não estou feliz.

A célebre citação "faz o que gostas e não terás de trabalhar um só dia da tua vida" parece-me cada vez mais uma utopia, uma completa irrealidade. "Larga tudo e procura algo que gostas", é outra das coisas que me dizem muito por aí, e meus queridos, não imaginam a vontade que tenho de o fazer...mas e depois? O que faço com os efeitos colaterais que essa decisão pode trazer? O que faço com as contas da casa, com a alimentação e tudo mais?

Largar tudo seria óptimo, mas neste momento impossível...ou perigoso.

 

Tenho uma vontade imensa de trocar o meu emprego por algo que me dê mais prazer, ainda que ganhe metade do que recebo actualmente. Não quero parecer ingrata, ainda para mais num país que tem uma taxa de desemprego tão significativa como o nosso, mas será justo depois de tantos anos de estudos e investimentos em cursos estar condenada a fazer algo que detesto?

Independentemente de tudo, decidi entrar em 2017 com uma atitude laboral mais positiva. Comecei a enviar currículos para empregos onde julgo que seria muito mais feliz  do que a minha conta bancária porque em boa verdade, começo mesmo a achar que a felicidade não tem preço.

 

Férias de Inverno, um novo amor - Andorra

 

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Todas as estações do ano têm o seu encanto ainda que algumas nos agradem mais do que outras. Eu por exemplo, não escondo que sou fascinada pelo Verão. Adoro o calor e as boas vibrações que se sentem nas pessoas em geral nesta estação do ano. No Verão as pessoas parecem mais felizes, mais tranquilas, os dias são maiores e os fins-de-semana são quase sempre bem aproveitados porque há um leque gigante de opções que se podem fazer ao ar livre nesta altura, no entanto, desde que o meu mais que tudo entrou para a minha vida, que as coisas mudaram um bocadinho de figura. O homem é aquilo a que se chama de verdadeiro Homem das Neves, um louco incurável por neve e acima de tudo, por snowboard e é óbvio que não se cansou enquanto não conseguiu arrastar-me para o meio da montanha.

Recordo-me de pensar quando nos conhece-mos que, muito dificilmente, me entregaria a esta mesma paixão porque, estar uma semana numa montanha a levar com temperaturas negativas, não era de todo a minha praia. Mas como diz o velho ditado, nunca devemos dizer "desta água não beberei" e como tal, após algumas idas à neve, acabei por me render aos encantos do Inverno e hoje em dia, só penso em enfiar uma prancha de Snowboard nos pés, descer a montanha e no fim, aconchegar-me num chalé quentinho enquanto neva lá fora.

Apesar de achar a Serra da Estrela lindíssima, tenho de confessar que, infelizmente não existem grandes condições para a prática de desportos de Inverno em Portugal. Para além da estância de ski ser muito pequena, se nevar a mesma encerra, por isso, considerem a Serra da Estrela para ver neve, passear, comer e beber bem mas não como opção para a prática deste tipo de desportos - a não ser que seja mesmo só para matar o bichinho.

E como a temporada de desportos de Neve já começou, deixo-vos a minha primeira sugestão para férias de Inverno:

 

   Andorra

 

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   Andorra é um Principado entre o nordeste de Espanha e o sudoeste de França. Cerca de 10 milhões de pessoas visitam o Principado anualmente atraídas pelos desportos de Inverno.

Grandvalira é a maior estação de ski de Andorra e conta com 6 sectores: Encamp, Canillo, El Tarter, Soldeu, Grau Roig e Pas de la Casa.

 

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Ainda não percorri todos os sectores, mas daqueles que conheço, posso considerar que, El Tarter e Soldeu são os meus preferidos. Porquê? Em primeiro lugar, Soldeu e El Tarter são duas vilazinhas muito catitas onde estão inseridos os melhores hotéis e depois, raramente existem grandes filas para as gôndolas nestes sectores e as pistas não andam tão atoladas de gente.

 

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Soldeu

 

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 El Tarter

 

 

Para quem gosta de freestyle, El Tarter e Grau Roig dispõem de um Snowpark com zonas para todos os níveis de Ski e Snowboard e para quem ainda tiver energia para continuar a saga dos kickers e ferrinhos poderá encontrar ainda em Grau Roig o Sunset Park Peretol, o único Snowpark nocturno dos Pirenéus.

 

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                                                                                  SnowPark de El Tarter

 

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Snowpark Xavi em Grau Roig

 

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 Sunset Park Peretol em Grau Roig

 

De todos os sectores que já experimentei, o que menos me agrada é o de Pas De La Casa simplesmente porque é o mais cheio de filas para os teleféricos, o mais carregado de gente, o menos bonito e o que tem os piores restaurantes nas pistas. Mas atenção, Pas De La Casa é a melhor zona para se ficar hospedado caso se queira gastar pouco dinheiro em hotéis e ficar perto de várias opções de restauração, comércio e bares. É provavelmente dos sectores mais movimentados e mais "animados" durante a noite.

 

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 Pas de La Casa

 

Caso estejam em Pas de La Casa e queiram experimentar outros sectores, não se apoquentem porque estão quase todos interligados e podem percorrer uns três ou quatro a fazer ski ou snowboard - a não ser que ainda sejam uns aselhas como eu que ainda não tenho aprendizagem suficiente e demoro uma eternidade para me deslocar de um sector para outro, contando com umas quantas quedas pelo caminho tornando a tarefa ainda mais complicada .

 

Adoro manhãs ensolaradas na montanha e finais de tarde com neve a cair. Dá me muito prazer fazer snowboard uma manhã inteira, fazer uma pausa para almoçar numa esplanada na pista e de desfrutar de um sol fantástico para recarregar energias para continuar uma tarde que se adivinha sempre muito cheia de novas aprendizagens e quedas à mistura. A meio da tarde, já completamente esgotada e cansada, um dos melhores programas passa por uma ida a um sunset bar ou Aprés Ski - há alguns em Pas de La Casa e nos restantes sectores.

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Depois de um dia cansativo na neve podem apostar que nada vos vai saber tão bem como uma ida à Caldea, é simplesmente fantástico. A Caldea é um grande complexo de piscinas, saunas e banhos de todos os tipos. Fica situada em Andorra LaVella e merece muito a pena dispensar uns troquinhos e desconectar um pouco do mundo - e das dores depois de um dia de neve - neste maravilhoso Spa. Aconselho ir à noite pois para além de ser mais barato é mais bonito.

 

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 Para os consumistas mais vorazes, o centro de Andorra LaVella possui uma infinidade de lojas de marcas internacionais em roupa, calçado e produtos electrónicos. Eu diria que os preços são mais razoáveis que em Portugal uma vez que o Principado de Andorra é considerado um paraíso fiscal.

 

Relativamente ao material de snowboard - técnico, roupa e afins - aconselho uma ida à CC BOARD CENTER. É muito complicado encontrar material de snowboard em Portugal e quando se encontra é tudo muito sem graça, por isso, caso estejam interessados numas férias na neve, poderão encontrar na CC Board Center tudo o que precisam - para comprar ou alugar - para que não vos falte nada na vossa estadia pela neve.

 

Agora que me relembro dos dias passados na neve e do quão gosto de lá estar, pergunto-me como fui capaz de não dar uma oportunidade durante tantos anos às férias de Inverno. Como fui capaz de não deixar que os meus pézinhos experimentassem a sensação que é descer uma montanha com uma prancha de snowboard?!

Só de pensar que este ano apenas poderei pôr os "cascos" na neve por um período máximo de 5 dias - no máxiiiiiimo - até se me enchem os olhos de água...!

Há definitivamente amores que vêm para ficar...

 

 

 

 

 

 

O "Último Natal" de George Michael

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E assim de repente, o mundo da música ficou mais pobre.

Quis o destino por ironia, que fosse no dia de Natal, que falecesse o grande intérprete do tema "Last Christmas" George Michael.

Depois da perda de Prince e David Bowie, terminamos a última semana deste ano com a sensação de que 2016 foi de facto um ano triste e de luto para a música internacional.

 

 

 

 

Bio-oil, o meu novo queridinho da noite

 

Por vezes ponho-me a pensar no quão rápido o tempo tem passado sem que eu tivesse dado conta. Parece que ainda ontem estava a terminar a licenciatura e afinal, já lá vão 6 anos. Inacreditável.

Não senti que tivesse passado assim tão rápido, mas passou. Já não caminho para nova e por isso é preciso começar desde já a cuidar da pele de forma a conseguir retardar os inevitáveis sinais de envelhecimento.

Há uns tempos atrás, descreveram-me maravilhas sobre um tal de "BIO-OIL", o óleo milagroso do momento.

Era bom para tudo e mais alguma coisa - o que me fez suspeitar, confesso.

Tanto me cantarolaram o afamado óleo que eu resolvi comprar e testar o dito cujo. Após um mês de utilização diária, só tenho uma palavra para descrever o produto: fabuloso.

 

Estou rendida. Confesso que inicialmente fiquei um pouco de pé atrás com receio de ficar com a pele toda nhanhosa de óleo, mas na verdade, a minha pele ficou muito mais hidratada, com melhor aspecto e sem qualquer sinal de oleosidade.

 

Actualmente apenas utilizo o  Bio-Oil no rosto, no entanto, ele ganhou fama por conseguir reduzir quase por completo a marca de estrias, cicatrizes e manchas na pele.

Aplico umas 4 gotinhas do óleo na ponta dos dedos antes de ir dormir e de seguida faço suaves massagens em movimentos circulares por todo o rosto.

 

O Bio-Oil custa 11.99€ e está à venda na Wells -Continente.

 

 

E por aí, alguém já experimentou?

Os homens e a unha do dedo mindinho

 

 

Se há coisa que eu acho nojenta neste mundo, é ver homens com unhas grandes. Dá-lhes um ar asqueroso, pouco higiénico e maléfico. Aqui pelo nosso país, ainda se vêm uns quantos com a unhaca do dedo mindinho enorme - e amarela.

Sempre me questionei sobre o motivo que os levam as deixa-las crescer como se não houvesse amanhã. É para tirar a nhanha dos ouvidos? É para limpar o salão do nariz a fundo? É uma arma de defesa pessoal que em caso de perigo perfura a pele como um canivete suíço?

 

Felizmente, quer me parecer que a moda da unhaca grande do dedo mindinho começou a desaparecer no nosso país, no entanto, o mesmo já não se pode dizer dos nossos amiguinhos chineses. Quando estive em Singapura, deparei-me com esta asquerosa realidade em praticamente todos os rapazes chineses que estudavam comigo. Podiam ter as unhas todas aparadinhas dos restantes dedos, mas o mindinho...esse não falhava! Lá estava a bela da unha amarela e aguçada, qual espada Samurai a sair-lhes do dedo.

Regressei ao meu país e esqueci-me por alguns anos desta triste moda, até me deparar hoje no metro com um grupo de amigos chineses. Todos eles com a unha grande, e pior que isso, suja! Resolvi matar a minha curiosidade e pesquisar sobre a verdadeira razão por detrás da unha asiática nojenta. Descobri então que, apesar de para muitos de nós ser um hábito um pouco duvidoso, o tamanho da unha do dedo mindinho na China, está relacionado com a classe social. Quanto maior a unha, maior a classe social da pessoa em questão.

 

Distinções sociais à parte, para mim, a unhaca nos homens, quer-se bem rente e limpinha e acabou-se a conversa!

No metro, salve-se quem puder!

 

Quem tem de se deslocar logo pela manhã até ao centro de Lisboa e não tem possibilidade de levar o carro, vê-se obrigado a passar por uma agitação matinal no metro que já virou rotina.

Há mais de 10 anos que me desloco de metro para o centro da cidade em hora de ponta e nunca me tinha deparado com algo assim. Só durante esta semana, já perdi a conta à quantidade de vezes em que fiquei do lado de cá da carruagem do metro por ser impossível entrar dentro da mesma de tão cheia que vai. Quando por fim após alguns empurrões consigo entrar na carruagem, percebo que o panorama é sempre o mesmo: os passageiros parecem sardinhas enlatadas de tão apertados que vão e surge sempre uma discussão devido ao aperto. A discussão de hoje foi entre duas senhoras, uma loira e uma morena. A senhora morena barafustava porque a permanente loira da outra senhora lhe roçava na cara e isso incomodava-a muito. Por sua vez, a loira retorquiu que nada poderia fazer, não havia qualquer espaço para onde se pudesse mexer. A morena continuava a estrebuchar dizendo que é uma vergonha pagar um passe mensal para levar com o cabelo dos outros na cara logo pela manhã.

 

Não há grande coisa que se possa fazer, essa é a verdade. Temos muitos poucos parques de estacionamento na nossa cidade e os poucos que temos são caros como o raio! E depois, a verdade é que só de pensar que até chegar ao centro temos de levar com filas de trânsito infernais e intermináveis, é logo meio caminho andado para desistir do popó e optar por levar com cabelos mal lavados na cara, mau hálito e faltas de desodorizante - pensem nisto como uma ajudinha extra para abrirem logo a pestana!

Há uns anos atrás, quando me deparei com o mesmo cenário no metro de Singapura, agradeci aos céus por em Portugal ainda haver espaço para todos na carruagem sem empurrões e sem ter de ficar na estação na esperança de conseguir entrar na próxima carruagem - foi sol de pouca dura!

Será que a tendência é para piorar?

Será que qualquer dia estamos assim?

 

 

 

Um AVC no comboio

 Todos nós estamos sujeitos a lidar com situações de emergência, quer sejam por lesões, acidentes, doenças crónicas ou doenças inesperadas. A grande maioria, julga que, ao se deparar com uma situação de emergência, sabe perfeitamente o que fazer, mas será que no momento sabemos mesmo como agir?

Há dias a minha mana ligou-me muito aflita. No comboio onde seguia, um dos passageiros com cerca de 35 anos de idade, começou a sentir-se mal. Estava muito suado, mal disposto e com fortes dores no peito. Enquanto um dos passageiros ligava para o 112, o senhor perdeu os sentidos e caiu para o lado. Ao se aperceberem da gravidade da situação, a maioria das pessoas entrou em pânico. Alguns palpites - quem sabe se mais certeiros - pediam para colocar o Sr. de lado enquanto lhe molhavam as mãos com água fria. É certo que todos tentavam ajudar, mas a incerteza do que seria o mais correcto a fazer pairava no ar.

A equipa do INEM chegou dez minutos depois. Começaram por fazer uma massagem cardíaca mas ao se aperceberem de que o senhor já se encontrava em paragem cardiorespiratória, evacuaram toda a carruagem e com a ajuda de um desfibrilador, deram início à reanimação.

Segundo um dos polícias que aguardava cá fora junto dos restantes passageiros, já não havia muito a fazer, tinha sido tarde demais. O senhor tido tido um AVC e não havia sobrevivido - mas cada um ali presente, mandou a sua posta de pescada sobre o desfecho do assunto. Se o senhor sobreviveu ou não, a minha mana não sabe. Espero que sim. Segundo ela, foi levado para dentro da ambulância e nunca mais se soube de nada.

 

A verdade é que toda esta história me fez pensar. Se eu lá estivesse, o que mais poderia fazer?

O mais correcto seria iniciar uma massagem cardiorespiratória manual no entanto, a falta de experiência e sabedoria sobre o assunto, deixar-me-ia petrificada e esse meus amigos, é o problema que a grande maioria de nós enfrenta ao se deparar com uma situação destas.

Recordo-me da minha tia me contar que, num passeio que fez pela Serra da Estrela, se deparou com uma mãe num desespero total ao ver a filha de 8 meses engasgada com leite. A minha tia por sorte, tinha tirado um curso de primeiros socorros e conseguiu auxiliar aquela mãe desesperada com a bebé já roxa nos braços, mas a maioria das pessoas, estavam consumidas pelo pânico sem saberem o que fazer. 

 

Se um curso de primeiros socorros é assim tão importante, não seria bom implementa-lo como disciplina obrigatória do ensino básico/secundário?

Enquanto andei na escola, deparei-me com tanta disciplina e tanta matéria desinteressante que actualmente em nada contribui para a minha vida ou para o meu desempenho social que, julgo que isto, faria todo o sentido uma vez que, em muitas escolas da Europa, este já é um curso que faz parte do plano curricular.

Com tantas leis descabidas, bem que o Ministério da Educação poderia reflectir seriamente sobre este assunto e, quem sabe, implementar uma nova disciplina de suporte básico de vida...

Quem sabe quantas vidas poderiam ser salvas se nos conseguíssemos aperceber e agir a tempo de as socorrer?

 

 

O apartamento amaldiçoado

 

 

Conheço um apartamento que está amaldiçoado. Fica no meu prédio. Mais propriamente no andar por baixo do meu.

Tudo começou quando o andar foi vendido pela primeira vez a um velho carrancudo e à sua filha solteirona mal educada. Viviam os dois...e mais onze gatos - dei-me ao trabalho de os contar quando uma vez espreitei para a marquise do andar de baixo e os vi todos empoleirados na janela. A relação dos dois era péssima. Perdi a conta à quantidade de vezes em que os vizinhos chamaram a polícia às 3h da manhã devido aos gritos e bater de portas intoleráveis.

Passados 2 anos de má vizinhança, lá decidiram vender o apartamento. Todos os inquilinos do prédio ficaram radiantes, incluindo eu que já não os aguentava.

Assim que o apartamento foi vendido, rapidamente se descobriu que os novos habitantes eram uma família com duas crianças.

Tinham um ar tão feliz, o que poderia correr mal? Tudo! Passados poucos meses, andava tudo aos gritos. Os filhos gritavam e os pais discutiam constantemente. Uma das minhas vizinhas voltou a chamar a polícia ao apartamento porque, segundo ela, às 23H, discutiam tanto que já se ouviam coisas a partir em casa - felizmente não me encontrava no país para poder ouvir esta bagunçada toda.

Decidiram vender o apartamento pouco tempo depois de iniciarem o processo de divórcio.

Foi um "UFA!" geral mas com pouca dura. Os novos residentes do apartamento amaldiçoado eram Angolanos. Não discutiam, mas andavam no forrobodó a noite inteira, de tal forma intenso que a senhora dava gritos e guinchos de meia-noite. Eram uma simpatia mas viviam para o sexo e para as festas - todos os Fins-de-Semana. Levei um enxerto de Kizomba de tal forma que acho que já conheço o álbum do C4Pedro todo de cor.

Entretanto o apartamento não foi vendido mas foi alugado a uma família com dois filhos que lá habita até aos dias de hoje e que são o verdadeiro terror. Os pais discutem um com o  outro como se não houvesse amanhã, a filha adolescente passa as noites a gritar com a mãe e a dizer que ninguém gosta dela. Não sei que raio fazem da vida mas chegam a casa SEMPRE por volta da 1H da manhã e fazem uma algazarra desgraçada até se deitarem. Gritam uns com os outros, arrastam móveis, fecham e abrem estores e batem com as portas todas que têm em casa. Tem sido um caos de tal forma que, já se pensou em reunião de condomínio, voltar a chamar a polícia ao terceiro andar.

 

Depois de anos a levar com vizinhos de outro mundo, cheguei à conclusão que o problema só pode ser do apartamento! Vou arranjar forma de enfiar uma mangueira lá para dentro e de o lavar com água benta. Quem sabe se a coisa no andar de baixo não fica mais tranquila...

Será que se disser à Endemol que "fui vítima de uma maldição" me deixam entrar na Casa-dos-Segredos?

 

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